
Na Romênia, nos encantamos com a paisagem montanhosa da Transilvânia e mergulhamos nas lendas que envolvem a região. Visitamos o Castelo de Peleș, com sua arquitetura majestosa e localização em meio às florestas dos Cárpatos, um verdadeiro palácio de conto de fadas. Também conhecemos o Castelo de Bran, muitas vezes associado ao lendário Conde Drácula, inspirado no histórico Vlad, o Empalador. Cada castelo revelou uma faceta diferente da história e do mistério que tornam a Transilvânia um destino tão fascinante.
Roteiro sugerido: Romênia
Para uma primeira viagem, vale reservar entre 8 e 10 dias para conhecer a Romênia com calma. Esse tempo permite combinar Bucareste, os castelos e montanhas da Transilvânia, cidades medievais bem preservadas e uma boa dose de gastronomia local. Em uma viagem de 5 ou 6 dias, concentre-se em Bucareste, Sinaia e Brașov. Com duas semanas, inclua regiões mais rurais, como Maramureș, ou termine a viagem no Delta do Danúbio.
Dia 1 e 2: Bucareste, entre palácios, parques e vida urbana
Comece por Bucareste, a porta de entrada mais prática para a maior parte dos viajantes. A cidade tem uma personalidade própria: grandes avenidas de herança comunista, edifícios Belle Époque, igrejas ortodoxas discretas e uma cena contemporânea que aparece em cafés, bares e galerias.
Reserve um dia para caminhar pelo Centro Histórico, conhecido como Lipscani, onde ficam ruas de pedestres, fachadas antigas e muitos restaurantes. A visita ao Palácio do Parlamento ajuda a entender a escala do projeto urbano do período de Nicolae Ceaușescu, enquanto o Museu da Aldeia, instalado ao ar livre no Parque Rei Miguel I, oferece uma introdução excelente à arquitetura rural romena. Se houver tempo, passe pelo Ateneu Romeno e caminhe pelos arredores da Calea Victoriei.
Para ficar bem localizado, procure hospedagem no Centro Histórico, na área da Praça da Universidade ou perto da Calea Victoriei. Essas regiões facilitam os deslocamentos a pé e têm acesso simples ao metrô. Quem prefere uma atmosfera mais residencial pode considerar Cotroceni ou os arredores do Parque Cișmigiu.
Na mesa, experimente sarmale, rolinhos de repolho recheados geralmente servidos com polenta; mici, pequenos rolos de carne grelhada; ciorbă, sopa azedinha muito comum no país; e papanasi, sobremesa de massa frita com creme azedo e geleia. Os restaurantes tradicionais do Centro Histórico são práticos para a primeira noite, mas vale também procurar bistrôs e mercados gastronômicos em bairros mais locais.
Dia 3: Sinaia e os Cárpatos
De Bucareste, siga de trem para Sinaia, uma das paradas mais agradáveis das montanhas dos Cárpatos. É um bom lugar para desacelerar antes de chegar à Transilvânia e conhecer o Castelo de Peleș, antiga residência real cercada por floresta. O edifício chama atenção tanto pela arquitetura quanto pelos interiores, por isso é recomendável reservar a visita com antecedência em períodos disputados.
Além do castelo, visite o Mosteiro de Sinaia e, se o clima estiver aberto, considere subir às áreas de montanha da região para observar a paisagem. Sinaia funciona bem como bate-volta, mas passar uma noite permite aproveitar o lugar sem a pressão dos horários de trem e seguir para Brașov na manhã seguinte.
Hospede-se perto da estação se a prioridade for praticidade, ou nas ruas mais altas e arborizadas próximas ao castelo para uma experiência mais tranquila. No inverno, leve roupas adequadas para neve e frio intenso; mesmo em outras estações, as noites nas montanhas podem ser bem mais frescas do que em Bucareste.
Dia 4 a 6: Brașov, castelos e vilarejos da Transilvânia
Brașov é uma base excelente para três noites. A cidade tem um centro histórico compacto, montanhas ao redor e boas conexões com outras partes da Transilvânia. Comece pela Piața Sfatului, a praça central, e explore as ruas próximas, onde se encontram a Igreja Negra, muralhas antigas e passagens estreitas como a Strada Sforii.
Subir ao Monte Tâmpa, quando as condições permitirem, oferece uma vista ampla da cidade. Brașov também é um bom lugar para sentir a mistura de influências romenas, saxãs e húngaras que marca a região. Caminhe sem pressa pelo centro no fim da tarde, quando os grupos de excursão já diminuíram.
Dedique um dia a Bran e à fortaleza de Râșnov. O Castelo de Bran é associado à figura de Drácula, embora a ligação histórica com Vlad, o Empalador, seja limitada. Ainda assim, a visita vale pela arquitetura, pelo cenário montanhoso e pela oportunidade de entender como essa narrativa se tornou parte do imaginário turístico romeno. Râșnov complementa bem o passeio com sua fortaleza no alto da colina.
Outra opção é visitar aldeias fortificadas ou fazer trilhas leves nas redondezas, especialmente durante a primavera, o verão e o início do outono. Para esses deslocamentos, ônibus regionais podem ser suficientes, mas alugar um carro por um ou dois dias dá mais liberdade para visitar áreas rurais e parar em vilarejos menores.
Em Brașov, fique no Centro Histórico para fazer quase tudo a pé, ou próximo à estação caso os trens sejam a prioridade. Para comer, procure restaurantes de culinária romena nas ruas próximas à praça, mas não deixe de provar preparos transilvanos com influência húngara, como goulash, ensopados e doces com papoula ou nozes.
Dia 7 e 8: Sibiu, uma Transilvânia mais tranquila
Sibiu merece ao menos duas noites. A cidade é elegante, organizada e especialmente agradável para caminhar, com praças amplas, telhados de “olhos” e construções preservadas do período saxão. Explore a Piața Mare, a Piața Mică, a Ponte dos Mentirosos e as ruas da Cidade Baixa, conectada ao centro por escadarias e passagens históricas.
O Museu Astra, nos arredores, é uma das visitas mais interessantes para quem quer compreender a vida rural tradicional da Romênia. O museu reúne casas, oficinas, igrejas e moinhos transferidos de diferentes regiões do país, em uma área verde que pede algumas horas de caminhada.
O centro histórico é a melhor área para se hospedar em Sibiu, sobretudo nos arredores das praças principais. Assim, restaurantes, cafés e atrações ficam a poucos minutos a pé. À noite, procure uma refeição com queijos locais, embutidos, sopas e vinhos romenos; a região também é uma boa oportunidade para provar a ciorbă de fasole, sopa de feijão frequentemente servida em pão.
Dia 9 e 10: Sighișoara, a parada medieval
Finalize o roteiro em Sighișoara, uma pequena cidade cuja cidadela medieval habitada é o grande destaque. Uma noite é suficiente para ver o essencial, mas duas noites funcionam bem para quem prefere viajar devagar. Caminhe pelas ruas de pedra, suba até a Igreja na Colina e observe as torres que ainda definem o perfil da cidade.
A cidade é associada ao nascimento de Vlad, o Empalador, personagem histórico que inspirou parte da tradição de Drácula. Mais interessante do que tratar o lugar como cenário de lenda é perceber como a herança saxã moldou suas casas coloridas, muralhas e organização urbana.
Hospedar-se dentro ou ao redor da cidadela cria uma experiência mais especial, especialmente fora do horário de maior movimento. Como o centro é pequeno, não há necessidade de escolher um hotel muito próximo de um ponto específico; priorize a facilidade para caminhar e transportar a bagagem pelas ruas de pedra.
Como se deslocar pelo roteiro
Os trens são uma escolha prática entre Bucareste, Sinaia, Brașov, Sibiu e Sighișoara, embora a duração das viagens possa variar e algumas rotas sejam mais lentas do que parecem no mapa. Vale consultar os horários com antecedência e evitar conexões muito apertadas. Ônibus regionais ajudam nos trajetos para Bran e outras localidades menores.
Um carro alugado é especialmente útil para quem quer sair das cidades, visitar aldeias fortificadas, dirigir por estradas cênicas ou explorar os Cárpatos com autonomia. Dentro de Bucareste, o metrô é eficiente para trajetos maiores, enquanto os centros históricos de Brașov, Sibiu e Sighișoara são feitos para serem explorados a pé.
Dicas práticas e extensões
- Tenha dinheiro em espécie para pequenas compras, mercados e estabelecimentos em áreas rurais, embora cartões sejam amplamente aceitos nas cidades.
- Reserve hospedagens e visitas a castelos com antecedência em feriados, fins de semana e durante o verão.
- Leve calçados confortáveis: centros históricos medievais têm ladeiras, escadarias e pavimentação irregular.
- O clima muda bastante entre Bucareste e as montanhas. Uma camada impermeável e roupas para frio são úteis em qualquer estação fora do verão.
- Para mais tempo, inclua Maramureș, no norte, conhecida pelas igrejas de madeira e paisagens rurais, ou o Delta do Danúbio, indicado para quem busca observação de aves, canais e natureza.
