
A Itália é um dos destinos que mais nos encanta — não importa quantas vezes voltemos. Roma nos fascina com sua grandiosidade histórica, Milão com sua elegância cosmopolita, Veneza com seus canais únicos e a Sicília com sua alma intensa. Na Toscana, nos perdemos entre vilarejos, vinhedos e paisagens de tirar o fôlego. E em cada uma dessas regiões, nos apaixonamos pela comida: massas frescas, queijos artesanais, azeites incríveis e vinhos que fazem qualquer refeição se transformar em celebração. Viajar pela Itália é se sentir em casa e, ao mesmo tempo, em um filme.
Roteiro sugerido: Itália
Para uma primeira viagem pela Itália, vale reservar entre 10 e 14 dias. Esse tempo permite conhecer Roma, Florença e Veneza com calma, incluindo uma escapada à Toscana, sem transformar a viagem em uma sequência cansativa de check-ins e malas. É um roteiro de cidades muito diferentes entre si: Roma tem camadas de história e vida urbana; Florença concentra arte, arquitetura e boa mesa; Veneza pede passos lentos, canais e tempo para se perder.
Com uma semana, escolha Roma e Florença, deixando Veneza para outra ocasião. Com duas semanas ou mais, acrescente Nápoles e a Costa Amalfitana, Bolonha, Milão ou alguns dias extras na Toscana.
Roma: 4 dias para começar
Roma é uma ótima porta de entrada porque exige tempo, mas recompensa quem não tenta vê-la inteira em dois dias. Reserve ao menos quatro noites para combinar os grandes monumentos com bairros que mostram uma cidade mais cotidiana.
Nos primeiros dias, concentre-se no centro histórico: Fontana di Trevi, Panteão, Piazza Navona, Campo de’ Fiori e as ruas entre essas praças. Faça esse percurso sem pressa, entrando em igrejas, cafés e pequenas lojas pelo caminho. O Coliseu, o Fórum Romano e o Palatino merecem uma manhã ou tarde dedicada; são visitas mais proveitosas com ingresso reservado e alguma leitura prévia sobre a Roma Antiga.
Reserve outro dia para o Vaticano, incluindo os Museus Vaticanos, a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro. Mesmo quem não tem interesse específico em arte sacra costuma se impressionar com a escala do conjunto. Para equilibrar os pontos mais disputados, caminhe por Trastevere no fim da tarde, atravesse o Tibre e suba até o Gianicolo para uma vista ampla da cidade.
Onde ficar: Monti é uma das bases mais práticas, perto do Coliseu, do metrô e do centro histórico, com ruas agradáveis para voltar à noite. Prati funciona bem para quem prefere uma área mais residencial e organizada, próxima ao Vaticano. Para uma primeira visita, também vale procurar hospedagem nos arredores do Panteão, Piazza Navona ou Campo de’ Fiori, desde que o orçamento permita.
Onde comer: Roma pede massas de preparo simples e muito bem executado: cacio e pepe, carbonara, amatriciana e gricia. Procure trattorias movimentadas em Testaccio, Trastevere e nos arredores de Monti, mas evite escolher apenas pela aparência de “restaurante típico”. Para uma pausa rápida, experimente supplì, a versão romana do bolinho de arroz recheado, e termine com gelato em uma gelateria que trabalhe sabores sazonais.
Florença e uma amostra da Toscana: 3 ou 4 dias
De Roma, o trem é a escolha mais prática para seguir a Florença. A cidade é compacta e pode ser explorada majoritariamente a pé, o que ajuda a desacelerar depois do ritmo romano. Fique pelo menos três noites; quatro permitem encaixar uma saída para a Toscana sem comprometer as visitas essenciais.
Comece pela região do Duomo, com sua cúpula, o campanário e o batistério, depois caminhe até a Piazza della Signoria e a Galeria Uffizi. A Galleria dell’Accademia, onde está o David de Michelangelo, também merece reserva antecipada. Mais do que cumprir uma lista de museus, deixe tempo para cruzar a Ponte Vecchio, observar o Arno ao entardecer e explorar o Oltrarno, lado mais artesanal e menos solene da cidade.
Se houver um dia extra, faça uma viagem pela Toscana. Siena é uma boa escolha para quem quer uma cidade histórica de perfil medieval; San Gimignano combina torres, ruas de pedra e paisagem rural; o Chianti faz mais sentido para quem deseja vinícolas e estradas cênicas. Para percorrer pequenas localidades e áreas rurais, um carro pode ser útil, mas não é necessário dentro de Florença.
Onde ficar: Santa Croce oferece fácil acesso às atrações e uma atmosfera mais local à noite. Santo Spirito e o Oltrarno são ótimos para quem gosta de restaurantes, ateliês e ruas menos turísticas. Perto da estação Santa Maria Novella é uma solução eficiente para quem chega e sai de trem, embora a experiência seja menos charmosa do que no centro histórico.
Onde comer: Experimente bistecca alla fiorentina se quiser provar a tradição local de carne, além de ribollita, pappa al pomodoro e lampredotto, um sanduíche muito associado à cidade. O Mercato Centrale pode ser uma boa parada para conhecer produtos toscanos, enquanto as ruas de Santo Spirito e Sant’Ambrogio costumam render refeições mais descontraídas.
Veneza: 3 dias entre canais e ilhas
Siga de trem para Veneza e, se possível, fique três noites. A chegada pela estação Santa Lucia já é parte do roteiro: sair do trem e encontrar o Grande Canal é um dos momentos mais marcantes da viagem. Veneza não se resume à Praça de São Marcos, embora ela mereça uma visita cedo, quando a cidade ainda está mais silenciosa.
Dedique um dia à Basílica de São Marcos, ao Palácio Ducal e às ruas de San Marco e Castello. Em outro, caminhe por Dorsoduro, atravesse pequenas pontes sem roteiro rígido e visite a região do mercado de Rialto. A melhor forma de entender Veneza é alternar os cartões-postais com sestieri menos congestionados, onde roupas secam nas janelas, moradores fazem compras e os canais parecem mais íntimos.
Com mais tempo, inclua Murano e Burano. Murano é conhecida pelo vidro; Burano, pelas casas coloridas e pela tradição de rendas. Faça o passeio como extensão de um ritmo mais lento, sem tentar encaixá-lo no mesmo dia de museus e grandes atrações.
Onde ficar: Cannaregio é uma excelente base para quem busca um lado mais residencial e boa conexão com a estação. Dorsoduro tem clima artístico, bares tranquilos e fácil acesso a vários pontos da cidade. San Marco é central e conveniente, mas tende a ser mais disputado; escolha a área se a prioridade for estar perto dos principais monumentos.
Onde comer: Em Veneza, prefira bacari, os pequenos bares onde se comem cicchetti, petiscos geralmente acompanhados de uma taça de vinho. Procure também pratos com frutos do mar, risotos e preparos com bacalhau. Sentar-se em uma praça muito turística pode ser agradável pela vista, mas vale caminhar algumas ruas para encontrar opções mais simples e com atmosfera veneziana.
Como se deslocar pelo roteiro
Para este percurso, o trem é a opção mais confortável. Roma, Florença e Veneza são bem conectadas por ferrovias, e viajar de estação a estação evita aeroportos e facilita a logística. Dentro de Roma, combine caminhadas com metrô e ônibus, considerando que muitas áreas históricas têm ruas estreitas e trechos de circulação limitada. Florença é feita para explorar a pé. Em Veneza, caminhar e usar os barcos de transporte público faz parte da experiência; malas com rodas pequenas sofrem nas pontes, então prefira bagagem prática.
Alugar carro só faz sentido para uma etapa específica na Toscana, com retirada ao sair de Florença e devolução antes de voltar ao trem. Dirigir nos centros históricos italianos pode ser pouco prático devido a zonas de tráfego restrito e estacionamento limitado.
Dicas práticas para organizar a viagem
- Reserve com antecedência as atrações mais procuradas, especialmente Coliseu, Museus Vaticanos, Uffizi, Accademia e Palácio Ducal.
- Não planeje dois grandes museus no mesmo dia. Na Itália, o excesso de arte e informação pode cansar mais do que parece.
- Leve calçados confortáveis: paralelepípedos, escadarias, longas caminhadas e pontes fazem parte do percurso.
- Tenha algum dinheiro em espécie para pequenas compras, mas cartões são amplamente aceitos nas áreas turísticas.
- Ao pedir café, lembre-se de que o espresso costuma ser tomado rapidamente no balcão; sentar-se à mesa pode mudar a cobrança em alguns estabelecimentos.
- Verifique com antecedência horários de funcionamento, dias de fechamento e exigências de reserva, sobretudo em museus e restaurantes concorridos.
Extensões para quem tem mais tempo
Com mais quatro ou cinco dias, Nápoles é uma extensão natural para quem quer conhecer outra Itália: intensa, popular, gastronômica e próxima de Pompeia. Bolonha funciona muito bem entre Florença e Veneza, especialmente para viajantes interessados em comida e vida universitária. Já Milão pode ser acrescentada ao final do roteiro para quem gosta de design, moda, museus e uma cidade italiana de ritmo mais contemporâneo.
