
Na Islândia, nos vimos cercados por uma natureza que parece de outro mundo. A cada curva da estrada, uma nova cachoeira surgia diante dos nossos olhos — selvagem, poderosa, hipnotizante. Vulcões adormecidos, campos de lava e lagoas termais completavam a paisagem, criando um cenário que nos fez sentir pequenos diante da grandiosidade da Terra. Foi uma viagem de contemplação, em que a natureza falava mais alto do que qualquer palavra.
Roteiro sugerido: Islândia
A Islândia é um destino que pede tempo, alguma flexibilidade e disposição para conviver com um clima que muda de ideia várias vezes ao dia. Para uma primeira viagem, o ideal é reservar entre 8 e 10 dias: esse período permite conhecer Reykjavík, o Círculo Dourado, a costa sul e a região da lagoa glacial Jökulsárlón sem transformar a viagem em uma corrida entre estacionamentos e mirantes.
Com apenas 4 ou 5 dias, vale concentrar o roteiro em Reykjavík e no sul da ilha. Quem tiver 12 dias ou mais pode percorrer a Ring Road com mais calma, incluindo o norte, os Fiordes do Leste e a península de Snæfellsnes. A regra mais útil é simples: na Islândia, menos paradas bem aproveitadas costumam render mais do que uma volta completa feita às pressas.
Reykjavík: 2 noites para entrar no ritmo islandês
Comece por Reykjavík, a capital compacta e mais urbana do país. Duas noites funcionam bem para recuperar-se do voo, organizar o carro alugado e conhecer a cidade antes de seguir para as paisagens mais remotas. Caminhe pela região central, entre a igreja Hallgrímskirkja, a rua Laugavegur e o porto antigo. O Harpa Concert Hall, com sua fachada geométrica voltada para o mar, merece uma parada mesmo para quem não for assistir a um espetáculo.
Reykjavík não é uma cidade de grandes atrações em sequência; o interesse está no conjunto. Reserve tempo para cafés, livrarias, lojas de design local, museus e uma piscina geotérmica pública. Os islandeses têm uma relação cotidiana com as piscinas aquecidas, e passar algumas horas em uma delas é uma forma muito mais autêntica de entender a vida local do que limitar a experiência a um spa turístico.
Onde ficar: o centro, Miðborg, é a escolha mais prática para quem quer fazer muita coisa a pé e ter restaurantes por perto. A área próxima ao porto também é agradável, especialmente para quem prefere um ambiente mais tranquilo e vistas para a baía. Se estiver de carro, confirme antes as condições de estacionamento da hospedagem.
Onde comer: procure provar sopa de cordeiro, peixe fresco, bacalhau, skyr e pães de centeio. Reykjavík tem boa oferta de cafés, padarias e restaurantes de cozinha nórdica contemporânea. Para uma refeição mais simples, vale procurar os estabelecimentos do centro que servem peixe do dia, sopas e pratos com ingredientes locais. O famoso cachorro-quente islandês também pode ser uma pausa informal entre caminhadas, mas não deve ser a única experiência gastronômica da viagem.
Círculo Dourado: 1 ou 2 dias entre história, geologia e água
Saindo de Reykjavík, siga para o Círculo Dourado. É possível visitar a região em um bate-volta, mas dormir uma noite nos arredores torna o dia muito mais confortável e permite fugir um pouco dos horários mais cheios. O roteiro clássico reúne o Parque Nacional Þingvellir, a área geotérmica de Geysir e a cachoeira Gullfoss.
Þingvellir é mais do que uma paisagem bonita: ali se percebe a separação entre placas tectônicas e a importância histórica do antigo parlamento islandês. Em Geysir, o destaque é Strokkur, gêiser que entra em atividade com frequência. Gullfoss fecha o percurso com uma força impressionante, especialmente quando há bastante volume de água.
Quem dorme na região pode incluir uma lagoa geotérmica ou uma fazenda local no caminho, sem a sensação de estar apenas cumprindo uma lista. Onde ficar: as áreas de Selfoss, Flúðir e Hella são bases práticas, com serviços e acesso fácil tanto ao Círculo Dourado quanto à costa sul.
Costa sul: 3 noites para cachoeiras, praias vulcânicas e geleiras
A costa sul concentra alguns dos cenários mais marcantes da Islândia e merece pelo menos três noites. O primeiro trecho pode incluir as cachoeiras Seljalandsfoss e Skógafoss. Na primeira, quando as condições permitem, há uma trilha que passa por trás da queda d’água; na segunda, a escadaria leva a uma vista ampla do vale e da costa.
Continue até Vík, pequena vila cercada por falésias e campos de lava, usada como base por muitos viajantes. A praia de areia negra Reynisfjara é visualmente extraordinária, com colunas de basalto e formações rochosas no mar, mas exige atenção absoluta às ondas. Não se aproxime da água nem ignore alertas locais: o mar nessa faixa da costa pode ser perigoso mesmo em dias aparentemente calmos.
Depois de Vík, avance pela estrada principal em direção ao Parque Nacional Vatnajökull. Faça paradas nas paisagens de lava, nos mirantes e, se o tempo estiver favorável, em trilhas curtas da região de Skaftafell. A caminhada até Svartifoss é uma boa escolha para quem quer ver as colunas de basalto em um contexto natural mais amplo.
Reserve ao menos uma noite perto de Jökulsárlón, a lagoa glacial onde blocos de gelo se desprendem da geleira e seguem lentamente em direção ao oceano. Do outro lado da estrada fica Diamond Beach, onde pedaços de gelo contrastam com a areia preta. É um lugar que muda muito conforme a luz, a maré e a estação, por isso vale visitá-lo mais de uma vez se estiver hospedado por perto.
Onde ficar: Vík é a base mais conveniente para a primeira parte da costa sul, enquanto Kirkjubæjarklaustur e a região de Hofn facilitam a exploração de Skaftafell e Jökulsárlón. A oferta fora de Reykjavík é menor, então reservar com antecedência faz diferença, sobretudo no verão.
Onde comer: na costa sul, priorize restaurantes e cafés de vilas como Vík e Höfn, onde é comum encontrar sopas, cordeiro, peixe e pratos com frutos do mar. Höfn é particularmente associada às lagostas locais, embora o cardápio e a disponibilidade variem. Tenha sempre alguns lanches no carro: entre uma cidade e outra, as opções podem ser limitadas.
Como se deslocar pela Islândia
Para este roteiro, alugar um carro é a solução mais prática. Ele dá liberdade para parar quando a luz estiver bonita, adaptar o dia ao clima e visitar atrações fora dos horários dos passeios organizados. No verão, um carro convencional costuma bastar para a Ring Road e estradas principais, mas isso não significa que todas as vias sejam adequadas para qualquer veículo. As estradas de montanha, conhecidas como F-roads, exigem veículo apropriado e experiência; não devem entrar em um roteiro comum sem planejamento específico.
Quem não quiser dirigir pode usar excursões saindo de Reykjavík, combinando Círculo Dourado, costa sul e lagoas geotérmicas. É uma alternativa eficiente para viagens curtas, embora reduza a autonomia e torne mais difícil passar noites em regiões diferentes.
Dicas práticas para aproveitar melhor
- Reserve hospedagens e carro com antecedência, principalmente entre o fim da primavera e o início do outono.
- Consulte diariamente as condições de estradas e a previsão do tempo. Vento forte, chuva, gelo e neblina podem alterar planos rapidamente.
- Leve roupas em camadas, casaco impermeável, calçado resistente à água e gorro, mesmo no verão. O clima muda mais rápido do que a temperatura sugere.
- Não planeje dirigir até tarde todos os dias. A Islândia recompensa paradas inesperadas e exige atenção constante nas estradas.
- Cartões são amplamente aceitos, inclusive em pequenos negócios, mas é útil ter um cartão físico habilitado para uso internacional.
- Respeite cercas, trilhas demarcadas e áreas frágeis de musgo. A paisagem parece resistente, mas muitos terrenos são delicados e levam décadas para se recuperar.
Extensões para quem tem mais tempo
Com mais 2 ou 3 dias, a península de Snæfellsnes é uma excelente extensão a partir de Reykjavík, reunindo campos de lava, falésias, praias e vilarejos pesqueiros em uma área relativamente compacta. Para uma viagem de 12 dias ou mais, vale completar a Ring Road e seguir para o norte, onde Akureyri, a região do lago Mývatn e as paisagens vulcânicas oferecem uma Islândia diferente da costa sul. Já os Fiordes do Oeste são uma escolha para quem busca estradas mais vazias, natureza bruta e um ritmo ainda mais lento.
