Uzbequistão

No Uzbequistão, seguimos os passos da Rota da Seda por cidades que pareciam saídas de um conto. Começamos por Tashkent, a capital moderna que guarda traços da era soviética. Em Samarkand e Bukhara, nos encantamos com os azulejos azuis das madraças e os minaretes que cortam o céu do deserto. Khiva, cercada por muralhas de barro, foi talvez a mais surpreendente — uma cidade-museu onde cada esquina guarda séculos de história. Exploramos tudo de forma independente, sempre fascinados com a riqueza cultural e a hospitalidade generosa que encontramos pelo caminho.

Roteiro sugerido: Uzbequistão

Para uma primeira viagem ao Uzbequistão, vale reservar entre 9 e 12 dias. É o tempo que permite conhecer Tashkent, Samarcanda, Bucara e Khiva sem transformar a viagem em uma sucessão de check-ins e estações de trem. O país recompensa quem caminha com calma: as grandes praças, madrassas, mesquitas e mercados fazem mais sentido quando há espaço para voltar a eles em diferentes momentos do dia.

Com uma semana, o melhor é concentrar o roteiro em Tashkent, Samarcanda e Bucara. Com duas semanas ou mais, dá para acrescentar Khiva com tranquilidade e considerar uma extensão ao Vale de Fergana, Shahrisabz ou à região de Nukus.

Dia 1 e 2: Tashkent, a porta de entrada

Tashkent costuma ser a chegada mais prática ao país e merece pelo menos um dia inteiro, de preferência dois se o voo chegar tarde. A capital tem uma escala muito diferente das cidades históricas da Rota da Seda: é ampla, soviética em muitos trechos e marcada por parques, avenidas largas e um metrô que também funciona como pequena galeria de arquitetura e decoração.

Comece pela região de Khast Imam, onde estão importantes monumentos religiosos e manuscritos históricos, e siga para o Chorsu Bazaar, o grande mercado sob cúpula onde se encontram pães redondos, frutas secas, especiarias, queijos e barracas de comida. Reserve tempo para andar sem pressa pelas estações do metrô e pelo centro mais moderno, especialmente nas áreas próximas à Praça Amir Timur e à rua Sayilgoh.

Para se hospedar, a região central é a escolha mais confortável, sobretudo perto de estações de metrô e das áreas de Amir Timur, Mustaqillik ou Tashkent City. Quem prefere uma experiência mais cotidiana pode ficar nas imediações de Chorsu, mas é importante verificar bem o acesso ao transporte e a distância até a estação de trem ou aeroporto.

Na mesa, Tashkent é uma boa introdução à cozinha uzbeque. Procure um centro de plov, onde o arroz é preparado em grandes caldeirões, e experimente samsa assada, shashlik de carne, manti cozido no vapor, lagman e os pães non vendidos ainda quentes nos mercados. Casas de chá e restaurantes frequentados por moradores costumam ser uma escolha mais interessante do que cardápios excessivamente turísticos.

Dia 3 a 5: Samarcanda, arquitetura em grande escala

Samarcanda é o coração visual do roteiro e merece ao menos dois dias completos; três dias funcionam bem para quem gosta de fotografia, história e ritmo mais lento. O ideal é chegar de trem a partir de Tashkent, em uma das rotas ferroviárias que conectam as principais cidades do país. As passagens mais procuradas podem esgotar, especialmente em períodos de férias, por isso vale organizar esses trechos com antecedência.

O ponto de partida é a Praça Registan, conjunto monumental formado por três madrassas. Visite-a em algum momento do dia e volte à noite para perceber como a luz muda a leitura dos mosaicos. Complete a cidade com a mesquita Bibi-Khanym, o mercado Siab, a necrópole Shah-i-Zinda e o observatório de Ulugh Beg. São lugares que contam, por ângulos diferentes, a história de Samarcanda como centro intelectual, religioso e comercial.

Para se hospedar, fique entre o Registan, Bibi-Khanym e o centro histórico, onde será possível fazer boa parte dos passeios a pé ou em trajetos curtos de táxi. A área próxima à estação é funcional para chegadas e partidas, mas não oferece a mesma atmosfera para quem quer aproveitar as noites na cidade.

Além do plov, Samarcanda é conhecida pelo pão local, mais espesso e ornamentado, e pelas frutas secas e nozes vendidas nos bazares. O mercado Siab é um ótimo lugar para provar produtos locais, desde que se compre em pequenas quantidades e se observe a movimentação das barracas mais frequentadas.

Dia 6 a 8: Bucara, a cidade para caminhar devagar

De Samarcanda, siga de trem para Bucara. Embora a estação ferroviária fique fora do centro histórico, o deslocamento final de táxi é simples e costuma ser a alternativa mais prática. Bucara pede pelo menos dois dias, mas três noites permitem absorver melhor seu ritmo: menos monumental que Samarcanda em escala, ela é particularmente agradável para caminhar entre ruas de terra, pátios, cúpulas comerciais e casas de chá.

Concentre-se no conjunto de Lyabi-Hauz, em torno do tanque arborizado que se tornou um dos melhores lugares para parar no fim da tarde. Explore as antigas cúpulas de comércio, a mesquita Magoki-Attari, o complexo Poi-Kalyan e sua torre, a cidadela Ark e o mausoléu dos Samanidas. Não tente visitar tudo em uma única manhã: Bucara é uma cidade que melhora quando se deixa espaço para entrar em pátios, tomar chá e observar a vida local.

A melhor área para se hospedar é o centro histórico, especialmente nas proximidades de Lyabi-Hauz e Poi-Kalyan. Assim, os principais monumentos ficam a uma caminhada curta e as noites têm mais movimento. Muitas hospedagens ocupam casas tradicionais restauradas, uma boa opção para quem busca caráter sem abrir mão de localização.

Em Bucara, procure restaurantes e casas de chá nas ruas ao redor de Lyabi-Hauz, mas não deixe de explorar estabelecimentos menores fora da praça principal. Peça dimlama, um cozido de carne e legumes, além de manti, kebabs e doces à base de frutas secas. O chá verde aparece em toda parte e é parte natural das pausas do dia.

Dia 9 a 11: Khiva, a etapa mais cenográfica

Khiva é a cidade mais distante deste roteiro, mas vale incluí-la quando houver tempo. A ligação a partir de Bucara pode ser feita por trem em determinados serviços ou por carro com motorista, dependendo da organização da viagem e da disponibilidade. Como os trajetos podem ocupar boa parte do dia, planeje Khiva com duas noites no mínimo.

O grande destaque é a Itchan Kala, cidade murada onde se concentram mesquitas, madrassas, minaretes e palácios. A experiência não está apenas em cumprir uma lista de monumentos, mas em caminhar cedo ou no fim da tarde, quando os grupos diminuem e as paredes de adobe ganham tons mais quentes. Visite o minarete Kalta Minor, a fortaleza Kunya-Ark, a madrassa Muhammad Amin Khan e os espaços internos do palácio Tash Hauli.

Hospedar-se dentro da Itchan Kala é a escolha mais atmosférica e permite aproveitar a cidade antes da chegada dos visitantes e depois que o movimento cai. Fora das muralhas, há opções potencialmente mais práticas para quem prefere acesso de carro, mas a experiência perde parte do charme de acordar no centro histórico.

Em Khiva, a culinária mantém a base uzbeque, com pães, sopas, carnes grelhadas e massas. Procure também o shivit oshi, prato regional de macarrão verde com ervas, geralmente servido com molho e acompanhamentos de carne ou legumes.

Como se deslocar pelo roteiro

O trem é a forma mais confortável de conectar Tashkent, Samarcanda e Bucara. Há serviços rápidos em alguns trechos e composições convencionais em outros; em todos os casos, reservar antes é prudente. Para Khiva, confira as opções ferroviárias disponíveis para suas datas e tenha o carro com motorista como alternativa, especialmente se quiser fazer paradas no caminho.

Dentro das cidades, caminhar é a melhor maneira de explorar os centros históricos. Em Tashkent, o metrô é útil para percursos maiores. Táxis por aplicativo, quando disponíveis, ou carros combinados pela hospedagem costumam facilitar deslocamentos entre estações, aeroportos e hotéis. Negocie ou confirme o valor antes de sair quando não houver taxímetro ou aplicativo.

Dicas práticas para organizar a viagem

  • Compre os trechos de trem com antecedência, principalmente se viajar em alta temporada ou se tiver datas fixas de chegada e saída.
  • Leve dinheiro em espécie e cartão. A aceitação de cartões vem crescendo, mas mercados, transportes e pequenos comércios podem funcionar melhor com moeda local.
  • Vista-se de forma respeitosa ao visitar mesquitas e mausoléus. Roupas que cubram ombros e joelhos evitam desconforto e são uma escolha sensata em espaços religiosos.
  • Prepare-se para extremos de temperatura. O verão pode ser muito quente e seco; primavera e outono costumam ser mais agradáveis para caminhar. No inverno, leve roupas adequadas para frio.
  • Evite preencher cada dia demais. As cidades históricas têm muitas atrações próximas, mas o calor e os detalhes arquitetônicos pedem pausas.
  • Tenha o nome do hotel salvo em russo ou uzbeque, quando possível, para facilitar conversas com motoristas e em estações.

Extensões para quem tem mais tempo

Com mais três ou quatro dias, o Vale de Fergana é uma boa extensão para ver um Uzbequistão mais agrícola e artesanal, com tradição de cerâmica em Rishtan e produção de seda em Margilan. Outra possibilidade é incluir Shahrisabz como desvio a partir de Samarcanda, especialmente para quem se interessa pela história ligada a Timur.

Para uma viagem mais longa e com perfil de exploração, Nukus e a região do antigo Mar de Aral oferecem museus, paisagens desérticas e uma perspectiva mais complexa sobre a Ásia Central contemporânea. É uma extensão que exige logística adicional, mas faz sentido para quem já percorreu as cidades clássicas da Rota da Seda e quer sair do itinerário mais tradicional.